Fado Negro (Separação)

Letra: joão gigante-ferreira  /  Música: Acácio Gomes dos Santos

 

Quanto tempo quanto espaço

Quanto tudo quanto nada

Tão cinzento é o abraço

Quando a boca vai calada

Lenço branco no regaço

No regaço está mais nada

Tão cansado o cansaço

Esta porta tão cerrada

 

O fim onde morremos

Jaz na boca e nos dedos

Já não somos quem sabemos

Na fortuna dos enredos

Cerro os punhos e os gemidos

Lembro o grito que esquecemos

Gelo a fúria dos sentidos

Neste inverno de venenos

 

Caem pássaros dos ramos

Caem estrelas no alcatrão

As carícias destes anos

O silêncio no trovão

Sobra o sítio onde não estamos

A ausência pelo chão

E assim nos apagamos

Bem no fundo do clarão

 

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